Os Avós - Os pais duas vezes!

00:47 Hele Alv 2 Comments


Apesar de externalizarem a nosso medo da velhice e o nosso medo da morte, nossos avós representam a voz da experiência. Alguém que já passou por todas as fases da vida e agora vivencia a última e voltará em breve para casa verdadeira.

São muito rejeitados por nossa sociedade, colocados em abrigos por filhos ocupados. Perdem a memória assim como perdem a voz; a situação desta presença em nossa sociedade ainda está pouco resolvida pois de um lado tem o governo que não sabe o que fazer, de outro temos a família que nunca quer se comprometer, e também existe a questão da debilidade física que realmente manifesta; e isso não podemos negar. Este medo que temos da velhice e toda esta situação mal resolvida nos deixa inseguros, o que nos leva ao culto à juventude. Não é à toa  que pintamos o cabelo quando os primeiros fios brancos se manifestam; do ponto de vista energético, o retorno ao lar ocorre através do chacra coronário, o chacra da sabedoria, e essa etapa, tão amarga para uns, se manifesta aí, primeiramente nos cabelos, o seu sinal. Através deste chacra que o véu entremundos fica mais fino e é possível enxergar com maestria.

Donzela, mãe, anciã; é essa a tríade da deusa. A avó é a anciã, aquela que não menstrua, que agora pode ensinar e trazer o conhecimento empírico. Contar sua história de vida. Quem nunca bebeu um chá de boldo da avó sabida? Quando somos jovens nos falta a dimensão de tempo que o velho sábio já possui. O arquétipo do eremita da carta do tarot, aquele que retém a sabedoria, o professor! Carpe Diem guia a vida dessas donzelas afoitas por viver o momento. Já a sábia tem a serenidade e a tranquilidade de que tudo vai se resolver um dia, nada de ansiedade. Este é o ciclo vida, morte e renascimento. 

As avós caminharam mais que a donzela, choraram mais, conheceram mais lugares e provável que leram mais livros que a mãe e agora enquanto os pais "caçam" o alimentos dos filhos podem contar os "causos" dos tempos antigos.  E como dizem as cartas , quem conhece o passado, sabe bem como esse futuro desenrola!

Me lembro que quando eu estava no ginásio um guri muito abestado perguntou ao professor de história de que servia aquilo tudo, se tudo já tinha passado. Ora, qualquer ser minimamente instruído deve saber que ao aprender com os erros do passado podemos acertar. O jogo de tentativa e erro é sempre arriscado, e às vezes é o único jeito, quando não sabemos!

Uma pessoa que gosta de física quântica diria que o tempo não existe. Passado, presente e futuro co-existe ao mesmo tempo, tudo ao mesmo tempo agora. Como aprendi com o querido Rudy Rafael, todas as etapas precisam ser bem vividas, completadas e resolvidas dentro de nós. Do contrário, corre-se o risco de ficarmos presos no mundo avernal, como Perséfone bem o sabe!

Os avós são um resgate. De valores, crenças, tempo. Mesmo que você não os conheça eles estão alí, pois estão onipresentes no mundo das ideias. A ideia de ancestralidade. De que tudo de se originou de algum lugar, mesmo que não saibamos exatamente qual. Sabe aquela pergunta , de onde você veio? Essa pergunta pode ser respondida; e através da figura do avô (a) inicia uma grande jornada a si mesmo. A sua jornada.

Eu poderia ir mais longe neste artigo abordando DNA, constelação familiar e tantas outras abordagens, mas aqui só quis prestar minha homenagem do quanto a presença do avô (a) da psique de uma criança e um adolescente é muito benéfica a medida que este entende a perenidade da vida e a importância de cultivar a sacralidade da sua origem e valorizar sua vida mais que tudo. Pois nossa vida nada mais é que uma jornada. Um jornada que pode ser incrível se este avô da sua psique estiver bem integrado. 

Tirei essa foto do Kipperkarten tarot, um sistema alemão que retrata pessoas comuns em atividades mais comuns ainda. =)








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2 comentários:

Shanti Om disse...

Excelente texto Hele!!! Parabéns!!!

Graça Santos disse...

Gostei da reflexão sobre a função dos velhos sábios, os avós no contexto familiar.